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O Magnífico Milagre

Pr. Aluizio de Moraes Filho

 

A palavra hebraica para “provas” ou “provações” é nissonot, cujo singular é nissaion, do verbo nissá – o mesmo que a Bíblia usa quando nos fala do sacrifício de Isaque, quando Deus provou a Abraão.  Uma curiosidade a respeito desta palavra é que ela pode ser entendida, com liberdade interpretativa, como “bandeira”, dando uma ideia de elevação.  Assim, podemos dizer que o que são provações na terra são elevações nos céus, pois somos pela vitória exaltados. O mundo é forçado a nos ver tremulando ousadamente o nosso testemunho.  O que é provação hoje será testemunho amanhã, isso demonstrará a que alturas espirituais um homem de Deus pode chegar.

A palavra nes, que significa milagre, também possui o sentido de bandeira, insígnia ou estandarte, ou seja, um símbolo colocado num lugar alto para que todos possam ver.  Neste sentido, é correto dizer que Deus não nos dará provação sem nos dar juntamente a provisão e esta por meio de um milagre que o Jeová Nissi (o Senhor é nossa Bandeira) operará em nosso meio.

De muitos relatos milagrosos do Velho Testamento, a abertura do Mar Vermelho tem especial sentido.  Este foi um milagre extraordinário que fez muito mais que livrar o Povo de Israel dos egípcios, ele preparou os filhos de Israel para receberem a Lei do Senhor no Sinai.  Um milagre magnífico que os capacitou a viver outro milagre estupendo, o receber a revelação da Lei de Deus, por isso mesmo tinha que ser tão grandioso.

Aquele foi um momento desesperador para o Povo de Israel que neste dia foi forçado a tomar uma atitude.  Muitas vezes diante de aflições, angustias e desesperos podemos tomar atitudes desesperadas. É nesta hora que grandes líderes necessitam ter as respostas certas para conduzir o seu povo. Moisés teve cinco respostas de fé para cinco possíveis atitudes desesperadas do povo a fim de conduzi-los a vitórias, que foram:

1.      Aos que queriam fugir desesperadamente e até atirar-se em vão ao mar ele disse: “Não temais, aquietai-vos …”, ou seja, fiquem firmes na fé e vocês verão a salvação de Deus.

2.      Aos que queriam regressar e render-se a faraó ele disse: “…nunca mais os vereis…”

3.      Aos que porventura queriam lutar por suas próprias forças ele disse: “O senhor pelejará por vós…”

4.      Aos que se paralisaram de pavor, sem esperança de se livrar, ele disse: “Vede o livramento de Deus…” Mudando a visão ou o foco da visão do povo para em vez de permanecer vendo os egípcios, ver a salvação.

5.      Aos que gritavam descontrolada e desesperadamente, ele disse: “…e vós vos calareis”, guardareis silêncio, aquietando-se e sabendo quem é o Senhor!

Nós não temos ideia das verdadeiras dimensões deste milagre que é sumamente importante tanto para judeus como para cristãos.  Para que tenhamos uma noção da potência que se manifestou naquele tremendo dia, quando por ocasião das pragas no Egito, os magos de faraó disseram que aquelas ações eram “o dedo de Deus”. Mas quando o milagre do Mar Vermelho aconteceu, o povo viu “a mão de Deus”.  Logo se em uma mão há cinco dedos, poderíamos dizer que em se tratando de potência foi como se manifestasse de uma vez só cinco vezes as dez pragas do Egito, isto é, como cinquenta pragas de uma só vez.  Sendo a palavra “praga” no hebraico melhor traduzida pela palavra “golpe”, isso equivaleria a dizer que a potência era de cinquenta golpes do Todo-Poderoso.  Uma outra aplicação interpretativa é que para nos tirar do Egito Deus golpeia com o seu dedo, mas para nos separar para sempre do Egito, Ele golpeia com a mão inteira.  O Deus que adestrou os dedos de Davi para a batalha e fortaleceu suas mãos para a guerra também, por vezes, luta com Seus dedos e por outras vezes luta com Suas mãos.

Se este milagre foi tão potente, tão magnífico, é correto afirmarmos que ele não foi um simples milagre, porém um milagre complexo, na realidade a manifestação de diversos milagres num só. Observando o texto bíblico pude enxergar dez milagres que aconteceram naquele, que são:

1.      O Fogo se interpôs entre os filhos de Israel e os egípcios, protegendo Israel, não permitindo os egípcios passarem e também forçando Israel a ir em direção ao mar –pois é melhor arriscar-se com as águas do que com o fogo.  A proteção divina também nos força a tomar a direção e atitude corretas.

2.      O vento favorável da parte de Deus soprou todo aquele dia.  Um verdadeiro furacão de favorecimento divino se manifestou para abrir o mar.  E se era um vento favorável soprava por trás deles e os impulsionava para frente.  Nós não devemos nos preocupar com os ventos contrários como os que vieram sobre Pedro, devemos confiar no vento favorável do Senhor que abrirá caminhos para nós e nos “empurrará” para nos mover no vento e “voarmos” rapidamente para nossa vitória.  Sendo a palavra “vento” também a palavra “espírito”, bem poderia dizer que eles contaram com um poderoso Espírito favorável da parte de Deus.  O mesmo Espírito que no início pairou sobre as águas, desta vez soprou sobre as águas do mar e o dividiu.

3.      O mar se abriu em grandes muralhas de água, como se sólido fosse, como se petrificasse ou mesmo congelasse.

4.      A nuvem de glória da presença do Senhor passou com eles, cobrindo-os e protegendo-os até mesmo do sol abrasador. Sabemos que o povo caminhava debaixo da coluna de nuvem de dia ou de fogo de noite, podemos ver esta mesma coluna passando com eles por entre as águas. Deus se mete no mar junto conosco, passa conosco, Ele nunca nos deixa sós.

5.      O mar se tornou como terra seca e o povo de Israel passou a pé enxuto.  Isto é mais do que dizer que eles não molharam os pés, pois se compararmos com Gênesis 1.9-12, veremos que quando as águas recuam e surge a terra seca, esta é terra fértil.  Seria como se a terra por onde eles passaram se tornasse uma terra fértil, e eu poderia até mesmo ousar pensar que um milagre criador teria acontecido, embora não possa afirmar com segurança que ocorreu.  Eu em parte creio que de fato aconteceu, que aquela terra seca produziu toda sorte de coisas boas para que eles comessem e tivesse fontes de água pura para que eles bebessem.

6.      Não obstante serem tantas pessoas, onde somente de homens aptos para a guerra contavam mais de 600.000, nenhum deles ficou para trás, todos se salvaram, as pessoas seus rebanhos e todos os seus pertences, tudo e todos foram guardados, protegidos e salvos.

7.      Tentando os egípcios passar pelo mesmo caminho, a terra ficou enlameada e eles atolaram.  Se Deus nos livra de um tremedal de lama, Ele também põe nossos perseguidores num tremedal de lama, num lamaçal do qual não poderão escapar para nos perseguir, ali a perseguição para.

8.      O mar caiu como pedras sobre os egípcios, e todo o exército de faraó foi afogado e sepultado. Foi uma vitória completa e definitiva.

9.      Todos os israelitas tiveram uma tremenda visão de Deus.  Naquele dia, desde o menor ao maior, todos tiveram uma verdadeira visão de Deus, uma revelação do poder e da pessoa do Senhor.  Cada um poderia dizer: Este é o meu Deus!

10.  Deus separou definitivamente Israel do Egito, separou para sempre os israelitas daquela escravidão.  O Senhor não quer somente nos dar uma saída para os nossos problemas, Ele deseja separar para sempre estes problemas de nossas vidas.  Ele, assim como nos liberta, também nos impede de voltar atrás.

Outra coisa interessante de sabermos é que a palavra “caminho” no hebraico também pode ser entendida como em sua forma plural, “caminhos”, assim Deus poderia ter aberto diversos caminhos no meio do mar, possivelmente doze caminhos para as doze tribos, como se quisesse mostrar o seu amor por todos e também o seu amor particular por cada tribo e por cada indivíduo.  Se de fato isto aconteceu, então ainda teríamos estes milagres multiplicados tantas vezes como o número dos caminhos que foram abertos.  Não há limites para o que Deus quer e pode fazer por amor de cada um, de nós, Ele verdadeiramente fará infinitamente mais!

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